As várias faces de Pânico
O filme anterior foi um sucesso de bilheteria mesmo sendo lançado 11 anos após o anterior, ele se apresentou como uma continuação digna do legado deixado por Wes Craven. O longa, por mais que tenha se passado muito tempo, não esqueceu das suas origens, trazendo personagens já consagrados como, Gale Weathers (Courtney Cox), Dewey (David Arquette) e Sidney (Neve Campbell), além do primeiro Ghostface, Billy Loomis (Skeet Ulrich), que é pai da nova protagonista, Sam (Melissa Barrera). O filme não faz referências diretas aos anteriores e sim cria uma nova história para os personagens, consagrados e novos.
O Pânico VI se passa um ano após o filme de 2022, mostrando o quarteto sobrevivente vivendo em Nova Iorque. A trama começa nos surpreendendo, pois não trata do padrão de loira que atende uma chamada suspeita, inicia um diálogo e é questionada sobre seu filme de terror preferido, perseguida e morta, até porque é mais fácil mandar uma mensagem atualmente. Mas para fazer uma referência a isso eles colocam uma professora de cinema (pontuando a metalinguagem sempre presente nesse primeiro diálogo) e faz ela atender uma ligação, com uma boa desculpa, mas claro ela acaba morta e, fugindo do clichê, o assassino se revela ali mesmo.
Somos levados ao apartamento do assassino e vemos que ele e o amigo planejam continuar o legado de Richie Kirsch (Jack Quaid), porém o assassino “real” da trama mata ambos, e assim se inicia oficialmente a história.
Realmente acredito que esse é o filme mais ousado da franquia, ele traz um assassino mais violento e inconsequente - até certo ponto - que está disposto a matar pessoas aleatórias só por entrarem no seu caminho. Além de diversas cenas de perseguição empolgantes, que é uma marca nos filmes e não poderia faltar.
Ele traz muitos referências diretas aos outros filmes anteriores, fazendo até com que os outros assassinos “interfiram” na trajetória desse, porém quando é realmente para trazer personagens consagrados ou só citá-los - como é o caso da Sidney que não aparece na trama - eles fazem isso de uma forma desconexa, dando a percepção que se aquele personagem não estivesse ali daria no mesmo, principalmente quando falamos sobre Gale.
Esse detalhe deixa um pouco a dúvida se eles querem trazer algo novo para agregar à franquia ou dar mais ênfase na nostalgia apenas revivendo os casos anteriores.
Como uma fã de Pânico as cenas que me recordava os filmes antigos foram realmente muito interessantes, parecia que o filme estava contando a própria trajetória até ali, não apenas com um personagem apaixonado em cinema teorizando que aquilo era uma franquia, mas o assassino e a construção contaram o próprio legado dos filmes Pânico ao decorrer da trama, isso se mostra bom e ruim, pois acabou fazendo com que o filme se confunda entre original e legado. O que é irônico, pois os assassinos do início queriam dar continuidade ao legado do filme anterior e com a morte deles parece que matam essa ideia, deixando em aberto as novas motivações do assassino, e no fim tudo acaba voltando para a premissa inicial.
Outro ponto que me incomodou e saiu um pouco do padrão dos filmes anteriores foi o medo de ousar nos personagens que morrem, é o assassino mais violento, porém com mais pontas soltas da franquia. Apesar desses detalhes o filme é bem conduzido e empolgante, te diverte e surpreende do início ao fim. Os personagens são bem estruturados e nos faz criar um vínculo com eles.




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