Um enxame com o melhor do terror

Nesta sexta-feira (17) foi lançado Enxame pela Amazon Prime, criada por Donald Glover e Janine Nabers, a série conta a história de Dre (Dominique Fishback), uma jovem obcecada com Ni’Jah, uma artista pop cujos fãs são conhecidos como “enxame”. Essa obsessão e os acontecimentos do episódio piloto levam ela a fazer atrocidades em nome da sua musa. A série também marca a estreia da cantora Billie Eilish como atriz.



A trama trata de assuntos como fandoms tóxicos, assassinos em série e obsessão e monta isso de uma forma visualmente elegante, com aspectos de filmes de terror antigos como Sexta-feira 13, traços de Candyman, além de ter vagamente me lembrado a forma inicial que o Ghostface aborda as suas vítimas, trocando a frase “Qual seu filme de terror favorito?” por “Qual o seu artista favorito?”.


Enquanto acompanhamos Dre a tela é pixelada e com bordas pretas, dando a impressão de estar em um sonho - no caso tá mais para pesadelo. Os sons lembram os presentes em Nós, além da trama em si lembrar os filmes do diretor Jordan Peele, terror psicológico que tratam questões raciais. As imagens que aparecem na tela entre as cenas, remete uma pequena marca de Twin Peaks.


O episódio 6 se destaca, trazendo um cenário total da série por outros olhos, como um documentário. Trazendo um visual que lembra clássicos da comédia, como The Office e Brooklyn Nine-Nine.  


Além de todas essas referências a série traz um gênero slasher com muito sangue e mortes violentas, porém diferentes dos novos filmes, completamente sem história, que vem surgindo atualmente, essa faz homenagem ao clássico terror slasher, como Psicose e Halloween.


Pautas da trama


Donald Glover e Janine Nabers trazem uma crítica bem estruturada sobre a influência das redes sociais e fandoms para a geração atual, mostrando que a admiração por um ídolo pode passar a ser uma obsessão, vindo a trazer consequências terríveis para outras pessoas e para o próprio fã. 


Semelhanças com a realidade


Como falado no início de cada episódio, "Esta não é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, ou eventos reais, é intencional.” Segundo boatos a trama se baseou na história de Beyoncé e seus fãs. 


De acordo com o portal Indiewire, durante a première oficial, a co-criadora Janine Nabers, disse:


“Em abril de 2016, quando um certo álbum visual foi lançado […] houve um boato de que uma garota chamada Marissa Jackson se matou porque percebeu que uma certa estrela do pop estava sendo traída por seu marido [...]. Eu estava em uma conversa de texto com alguns de meus amigos de Houston e, por dois dias, pensamos que era um evento real – até que foi desmentido mais tarde no Black Twitter”, disse.


“Então, quando Donald [Glover] lançou essa ideia sobre uma mulher negra obcecada por uma estrela pop, eu disse 'eu já sei qual vai ser o piloto' e segui em frente”, continuou.


Essa fala reforça as teorias, já que Beyoncé lançou um álbum visual em 2016 e já foi traída por Jay-Z, seu atual marido.


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